quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um caos chamado cidade!

Depois de um mês e meio de viagem, finalmente mudamos de ares e país! Saímos definitivamente do Laos e viemos, enfim, começar nossa saga vietnamita.

Voamos de Luang Prabang para Hanoi, capital do Vietnan. E que vôo! Eu estava tranquila, mas a Silvia estava praticamente desesperada, e tudo porque o nosso guia de viagens dizia: Se puder evitar voar com a Lao Airlines, evite!

E o que fizemos? Não evitamos! Fomos com eles mesmo, hehehe. E até que foi tranquilo, tirando que o avião era bem "moderno", com uma turbina de hélices que ficou fazendo barulho durante o vôo inteiro. Quase no final rolou uma turbulência, deu uma balancadinha, mas ficou tudo bem. Chegamos sãs e salvas!

Estávamos no vôo com a Emília, uma sueca que conhecemos na última noite em Luang Prabang e que, coincidentemente, ia pegar o mesmo vôo que nós. Durante o vôo fizemos amizade com o Paras, um inglês de decendência indiana que estava morando no Vietnam há 3 anos. Infelizmente ele mora em Ho Chi Min City (antes Saigon) e iria passar apenas aquela noite em Hanoi. Mas já foi uma grande mão nas costas chegar e ser guiada por alguém que fala vietnamita e que pôde entrar num acordo sobre o preço do táxi sem que nos custasse uma fortuna. No fim das contas: USD 2,00 para cada uma por 40 minutos até à cidade. Nada mal!

Logo depois de deixarmos as nossas coisas no hotel o Paras levou a gente pra conhecer a vida noturna de Hanoi.

Primeiro fomos a um restaurante vietnamita onde comemos, acreditem ou não, carne de cisne! É bem parecida com frango, mas eu só comi um pedacinho, porque assim como frango assado, estava cheio de nervos e pele e eu ainda não passei deste ponto da minha frescura, então continuo evitando o que para mim são nojices degustativas.

No restaurante aprendemos o primeiro costume dos vietnamitas: jantar cedo! E não é uma opção. Ou você janta cedo ou dificilmente vai encontrar um lugar para comer aberto depois das 21h00! Chegamos neste restaurante às 20h50 e fomos atendidos super às pressas pois o restaurante tinha que fechar!

Praticamente enxotados de lá fomos para o Le Pub, um bar que tem uma filial em Saigon e onde o Paras tem uns amigos. Lá conhecemos dois dos garçons, o Crazy Dog e o Tiep, dois vietnamitas que eram meninos de rua e foram chamados para trabalhar neste restaurante, onde também aprenderam a falar inglês. É bem legal, em Hanoi tem vários restaurantes/ bares que fazem isso, tiram os jovens das ruas e dão uma oportunidade de trabalho. O máximo!

Ficamos por lá até o bar fechar e depois, com os meninos livres do trabalho, fomos levados até uma casa vietnamita onde só os locais vão para beber cerveja, feita por eles mesmo! E terminamos a noite numa balada em um barco no meio do rio. Segundo o Paras é lei que as coisas fechem cedo, mas por a balada ser no barco que está no rio e não em terra, a polícia faz vista grossa e deixa funcionar até altas horas, pois teoricamente a balada não está acontecendo em terra firme! Fala sério!

De Beatles a Madonna, pude perceber um outro costume vietnamita: na balada dois homens dançando até o chão juntos é suuuper normal! Dançar juntos é quase lei. Ficam dois meninos lá dançando como se fossem casal, mas não tem nada a ver com homossexualidade. Pelo contrário, é amizade mesmo.

Foi então que depois desta noite e no dia seguinte, vendo muitas mulheres andando com os braços entrelaçados e casais de namorados abraçados na grama ou andando de mãos dadas, percebi uma grande diferença entre a cultura asiática como um todo e a vietnamita: aqui eles demonstram afeto em público! E eu bem que estava sentindo falta de presenciar uma demonstração de carinho. Comecei a gostar do Vietnã!

No nosso primeiro dia inteiro em Hanoi eu e a Emilia fizemos um tour básico. Começamos indo ao Museu de Etnologia, que explica muito do dia a dia e da cultura das diversas tribos que moram no país. Duas coisas interessantes que aprendi foram:

- No nordeste tem uma tribo que faz rituais espíritas. Diz-se que ao evocar espíritos as pessoas têm acesso ao mundo espiritual representado por quatro elementos: Céu, Terra, Água e Florestas!

- Neste país muitas pessoas mais velhas têm os dentes pretos ou com manchas escuras, mas não por falta de higiene. É que eles têm o costume de mascar betel (não sei traduzir), um tipo de folha e castanha que deixa essas "cicatrizes" nos dentes. Os vietnamitas mais velhos costumam dizer que para começar uma boa conversa basta convidar alguém para mascar um pouco de betel.

Ainda no museu comi um sanduíche que me fez tomar uma decisão drástica enquanto estiver no Vietnã: aqui não ponho mais frango na boca! Isso porque meu lanche de frango veio com um pedaço do animal cheio de nervos, pele e, pasmem, umas peninhas! Intragável.

Vimos também uma apresentação de teatro de marionetes na água. Típica arte vietnamita, as marionetes na água são manipuladas por pessoas que ficam escondidas atrás de cortinas de palha através de pequenos sistemas escondidos sob a água. O teatro retrata a vida dos vietnamitas e suas principais atividades, como rezas, pesca, agricultura, vida familiar, kung fu, crenças, etc. Os boneco são muito bem manejados e é algo muito diferente de se ver, e bonito também, principalmente quando, além dos bonecos, há fogos de artifício nas cenas.

Hanoi é uma cidade suja e barulhenta. Enfestada de motocicletas que não param de buzinar e que não respeitam nenhum sinal de trânsito, elas te obrigam a atravessar a rua 1000 vezes mais atento do que de costume, pois já que eles não param é você quem tem que arranjar um jeito de atravessar passando por entre elas. E elas dominam também as calçadas. A cada 10m você tem que sair da calçada e andar na rua porque milhares de motocicletas estacionadas de qualquer jeito estão bloqueando a passagem específica para pedestres! Além das motos e da sujeira há ainda as incontáveis lojas, vendendo os mais diversos produtos como óculos, bolsas, mochilas, sapatos, roupas, comida, etc...dando à cidade uma cara bem parecida com a conturbada 25 de março paulistana. Um terror!

Mas toda grande cidade tem sua via de escape, e a de Hanoi é o lago Hoan Kiem, que fica no meio da parte antiga. Grande e quieto ele dá uma aparência pacífica a uma cidade caótica. Foi para lá que fomos depois da apresentação das marionetes.

O lago é motivo para uma lenda muito forte para as pessoas de Hanoi. Diz a lenda que em meados do século XV os céus deram ao imperador da época uma espada mágica utilizada para afugentar os chineses que dominavam o país. Um dia após a batalha final o imperador estava navegando pelo lago quando uma gigante e dourada tartaruga surgiu do fundo do lago e tomou a espada de suas mãos. Desde então o lago mudou de nome para o que hoje significa "Lago da espada reavida", pois a tartarura retornou a espada aos seus proprietários divinos.

Curtimos um pouco o lago e visitamos o Ngoc Son Temple, um templo que fica no meio do lago, conectado à terra por uma ponte e que tem uma estátua da famosa tartaruga. E depois terminamos o dia visitando a Catedral de St. Joseph, uma catedral católica de Hanoi.

No nosso último dia em Hanói fizemos um passeio típico para as pessoas locais. Fomos visitar o mausoléu do Ho Chi Min! Para quem não sabe ele foi um líder revolucionário do Vietnan, que lutou pela independência da Indochina (que era dominada pela França) e também foi figura chave na luta do Vietnan do norte (comunista) contra o Vietnan do sul (com apoio dos EUA), na qual morreu antes do término, mas, para os mais desavisados, foi vencedor e teve seu nome dado à capital do antigo Vietnan do sul, que de Saigon passou a se chamar Ho Chi Min City.

Enfim, o cara foi importante e isso explica a fila fenomenal na entrada do seu mausoléu! Poucos turistas e milhares de vietnamitas esperando pacientemente numa fila quilométrica só pra ver o corpo do Ho Chi (que intimidade, hein!). E quando digo o corpo, é o corpo de verdade! Ele fica exposto numa redoma de vidro e em seu corpo foi passada uma camada de cera para conservar, então é como se estivéssemos olhando o velho de verdade ali, deitado como se estivesse dormindo!

Almoçamos num restaurante no 4º andar de um prédio com vista para o famoso lago da cidade e depois fui sozinha (as preguiçosas não quiseram ir comigo) até um outro ponto turístico da cidade, o Temple of Literature. Trata-se de um templo confucionista e local da primeira universidade do Vietnan, além de ter belos gramados e lagos. Foi ali que um bando de estudantes vietnamitas me abordou e ficaram todos felizes quando eu topei tirar uma foto com eles. Senti-me uma celebridade de cinema!

Terminei o dia em Hanói passeando pelos becos da cidade, inclusive pelos trilhos do trem que cruza a cidade e cuja paisagem abre os olhos para a verdadeira condição de vida dos locais: casas apertadas, escuras e sujas. Pobre.

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