quarta-feira, 22 de abril de 2009

Odisséia vietnamita!

Não é nada engraçado ser uma pessoa alta na Ásia! Nunca achei que fosse preferir ser baixa algum dia, mas este continente definitivamente não foi planejado para pessoas com mais de 1,70m. As minhas pernas estão sempre, sempre batendo em algum lugar e tudo parece muito apertado!

Pronto. Desabafo feito. Já posso seguir com o resto da viagem.

Ainda em Hanói decidimos fazer uma viagem de dois dias e uma noite até Halong Bay, uma baía no nordeste do Vietnam que é tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade. Em vietnamita a palavra Ha Long quer dizer “onde o dragão mergulha na água” e diz a lenda que as formações geológicas típicas da baía foram criadas por um dragão cuja cauda moldou as montanhas em picos e vales, ao se deslocar para as montanhas nadando pela baía. Com o tempo os vales foram cobertos de água e os picos são o que hoje se torna visível.

Apesar do nosso tour ter sido meia boca (e isso inclui uma mini-van mais do que apertada!) o lugar é sim bem bonito e valeu a pena visitar. A geografia é linda e ainda tivemos a oportunidade de visitar umas cavernas, fazer um pouco de caiaque e dormir em plena baía, dentro de um barco.

De volta a Hanói pegamos as malas e fomos direto para Hué no ônibus noturno. Não preciso dizer que mesmo se tratando de um sleeping bus não era possível esticar as pernas decentemente, a menos que eu medisse 1,50m! E foram nada mais nada menos do que 14 horas!

Hué fica na costa, exatamente no meio do país. Indo do norte para o sul é a primeira cidade do antigo Vietnã do Sul (aquele que teve apoio dos EUA na guerra) e foi antiga capital do país entre 1802 e 1945, quando o sistema político ainda era o Império.

Mais um local tombado pelo Unesco é a citadela, que fica à beira do rio principal de Hué, o Suong Hong (rio perfumado). Visitamos a citadela no nosso primeiro dia. Trata-se de uma cidade imperial dentro de Hué que serviu de moradia para os Imperadores, suas famílias e empregados, além de ser o local oficial para reuniões de cunho político.

Seguimos pela cidade, que é bem pequena, em direção às vilas flutuantes. Essas vilas são bem comuns no país. Pequenos barcos que servem de casa para toda uma família que vive, literalmente, em cima da água. Vimos uma delas em Halong Bay (essa inclusive com escola) e agora uma em Hué. Continuamos pelo rio, passamos por mais um mercado que me fez sair correndo por causa do cheiro forte de carne crua, alguns templos e terminamos o dia vendo o pôr-do-sol na ponte principal que cruza o rio.

E ainda tive a oportunidade de conhecer e conversar um pouco com um estudante local de economia que me pediu, por favor, que conversasse com ele para que ele pudesse treinar seu inglês, que, aliás, aprendeu sozinho só de ficar conversando com os turistas da cidade!

No segundo e último dia em Hué fizemos um passeio de barco pelo rio e fomos até outra parte de cidade, mais afastada, onde estão as tumbas dos principais imperadores. Visitamos apenas uma delas, a Tomb of Minh Mang, imperador do Vietnam entre 1820 e 1840. Mais do que uma simples tumba o local é quase um retiro espiritual. É enorme. Com jardins, templos, lagos, lugares para adoração, etc. A tumba mesmo ninguém nem sabe onde está enterrada, e isso porque a cada imperador que morria eram necessários 200 empregados para o funeral, mas após o funeral essas 200 pessoas eram mortas para que não revelassem aonde fora enterrado o imperador e assim evitar que alguém roubasse sua tumba, cheia de ouro e outros metais valiosos.

Fomos ainda até a Thien Mu Pagoda, construída em 1601 e que em 1963 se tornou o lugar oficial de adoração a Thich Quang Duc, um monge que se queimou vivo em cima de seu carro como forma de protesto contra a política religiosa do governo local.

Próximo destino: Hoi An. Pegamos um ônibus de quase 4 horas para chegar a esta cidade ao sul de Hué que descobrimos não ter muito o que fazer. Felizmente conhecemos dois franceses no ônibus, o Olivier e o Denis, que nos serviram de companhia. E ainda ficamos em um hotel com piscina por 5 dólares cada por noite. Uma pechincha!

Por se tratar de uma cidade praticamente sem lugares turísticos para se visitar e contando o calor insuportável que fazia, resolvemos passar a tarde na piscina. E eu já tinha até esquecido como é bom uma água limpinha pra bater um pouco os braços e as pernas! No dia seguinte passamos a manhã na piscina e à tarde tomamos coragem para caminhar um pouco sob um sol do inferno.

Hoi An é uma cidadezinha charmosa, de estilo antigo, bem parecida com Paraty, mas que não exige muito tempo nem dedicação, portanto tratamos logo de sair dali para nosso próximo destino: Nha Trang, cidade de praia!

Nossa, ver o mar depois de tanto tempo é revigorante! Impressionante como uma faixa de areia e uma imensidão de água podem trazer tamanha sensação de paz! Passamos os dois dias inteiros igual lagartos no deserto: estiradas na areia! E quando esquentava demais íamos para o mar mais limpo que eu já vi até hoje. Com a água transparentíssima e sem nenhuma onda era como se estivéssemos em um piscinão. Perfeito.

E ainda reencontramos a Emília (nossa amiga sueca de Hanói), a amiga dela Sarah (também sueca) e um irlandês que elas tinham conhecido no ônibus, o Kenneth.

Apesar da praia com água limpa e do tempo convidativo tínhamos que continuar descendo. Na sexta-feira temos que deixar o país por causa do nosso visto e ainda temos mais uma cidade nos planos: Ho Chi Min City (ex Saigon), de onde escrevo agora e sobre a qual contarei no próximo post.

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