domingo, 29 de março de 2009

Diário de bordo!

De volta a Vientiane finalmente tenho acesso à civiliazação após 2 semanas consecutivas na vila. Como bastante coisa acumulou pra contar, desta vez o post vai em forma de diário, com os principais dias e eventos:

Terça-feira, 17/03

Hoje o dia foi irritantemente irritante!

Tudo começou logo cedo, com o pai nos convidando para ir a uma cerimônia budista. A gente achando que ia ser superlegal aceitamos o convite, mas não sabíamos o que estava por vir...

Festival budista que nada, era só uma desculpa pra beber e comer em plena terça-feira.

Começamos indo até uma casa na beira da estrada, onde a galera já estava bem “animada”. Uma galera animada, comida e cerveja são sinônimo de diversão...não no Laos! A comida tem origem duvidosa, a cerveja é compartilhada no mesmo copo e o laoense quando fica bêbado é muito chato! Daqueles que ficam cutucando, querendo te dar cerveja na boca e cantando alto e desafinado.

Não deu nem meia hora eu e a Silvão já estávamos louca para irmos embora. Quando a galera da casa começa a dar tchau e subimos na moto que felicidade!!! Mas obviamente, como qualquer celebração no Laos, ainda não tinha acabado...

O festival consistia em ir não só em uma casa, mas sim numa verdadeira peregrinação de casa em casa, sempre comendo e bebendo. O que no início era pra ser 4 casas, acabou se tornando 6 e por muito pouco não foram 7.

A cada casa o pessoal estava mais bebado e, por conseguinte, mais chato. Em uma das casa tinha uma tia tão bêbada que estava enchendo saco de todo mundo. Deu tanta birita pra uma outra tia tomar que esta até gorfou!

Era um tal de cantoria pra cá, comida pra lá, bebida pra cá que só Caco Antibes saberia como descrever bem esta situação.

E pra piorar toda a situação todas as casas serviam a mesma comida: sopa de búfalo. Minha nossa senhora, a primeira vez que colocaram aquele prato na minha frente eu tive que fazer uma força sobrenatural para não vomitar...a sopa tinha um cheiro fétido impressionante. Vou logo chutar o pau da barraca e dizer a real: tinha mesmo era um puta cheirão de merda! E humana ainda por cima!

Mas tudo que é ruim dura o suficiente para se tornar inesquecível. Depois de quase 8 horas a peregrinação acabou, mas aquele cheiro estará para sempre nas nossas memórias.


Quarta-feira, 18/03

Com a chegada da chuva o céu se manteve cinza e triste por mais de uma semana. Era noite de sexta-feira 13 de lua cheia quando uma forte ventania começou, anunciando a chegada da chuva. Tiramos às pressas as roupas do varal que havíamos lavado com água do poço no dia anterior.
A tia e os sobrinhos se hospedaram em casa por uma noite. A casa deles, com paredes de bambu, não oferece resistência suficiente em caso de tempestade.

A noite foi agitada. Como a casa não tem porta nem janelas sempre tinha alguém no meio da noite pra lá e pra cá, averiguando se a água não entrava. Foi mais uma noite mal dormida.
Praticamente todas as noites aqui acabam em manhãs sonolentas, sem a mínima vontade de pular da cama já que nunca conseguimos descansar direito. Há sempre um evento inesperado para nos perturbar o sono.

Na primeira noite foi um besouro que batia as asas irritantemente. Uma outra noite foi o cachorro que latia bem no meio da madrugada. Nada oportuno!

Tem ainda a velha, um caso a parte. Ela sozinha tem uma surpresa para cada uma das noites, sem exceção. O catarro é o episódio que mais se repete. Na primeira semana foi difícil se acostumar, mas os habituais catarros e barulhos nasobucais se tornaram cada vez menos chatos após termos decidido ignorá-los por completo.

Mas parece que ela descobriu que aquilo já não mais nos tirava o sono, pois tão logo nos acostumamos ela nos “presenteou” com novas manias.

Teve a escuta do rádio no meio da madrugada, o arrastar de chinelos na sala em plena 5 da manhã e as freqüentes mijadas noturnas no quarto, bem ao lado da gente, com apenas um fino lençol separando nosso sono sagrado do barulhinho do xixi caindo no penico.

Mas, pelo menos para mim, a pior foi uma noite que eu cri piamente que a velha estava evocando os demônios! Barulhos de água remexida vinha dos seus aposentos, junto com uns sons estranhíssimos e, para completar, eu ouvia barulhos de lobos vindo da janela, lá de fora.

Tá, tá bom, talvez fosse só imaginação minha mesmo, mas os barulhos de monstro eram bem reais, tanto que fiquei com medo e acordei a Silvão para ouvir. Ela não deu muita bola e voltou a dormir, mas eu fiquei ali sem dormir, pensando com meus botões: velha macumbeira!

Também não vou jogar toda a culpa na velha. Todos os habitantes da casa colaboram para estas noites mal-dormidas. Conversas no meio da madrugada, luzes acesas, às vezes gritarias e até mesmo o rádio bombando no último volume às 6 da manhã!

A solução o meu próprio corpo encontrou sozinho: abstrair toda e qualquer inoportuna intervenção. Deu certo! Pelo menos as últimas duas noites foram ótimas, dormi como um anjo.

* * *

Aqui no Laos os nomes são muito difíceis para memorizar, portanto, com exceção dos pais e das duas filhas (estes decoramos os nomes), eu e Silvão nos referíamos aos habitantes pelas suas características.

A avó é a VELHA.

Tem ainda o SR CRAVO e o SR DENTE, um com um cravo enorme na têmpora e o outro com os dentes tortíssimos e horríveis.

A tia e os sobrinhos, que moram ao lado da nossa casa, eram respectivamente chamados de CARA DE CU (porque a tia sempre está com uma cara de quem comeu e não gostou), GRILO (o menino, que tem as perninhas finas e um pouco tortas) e MENININHO (a menina, que apesar de eu não concordar, a Silvia insiste que ela tem uma carinha de menino).

Tem a MENINA DA PÁ VIRADA (uma criança que está sempre fazendo arte) e sua DISCÍPULA (que está sempre com ela).

E ainda o MENINO DO ARROZ (um que está rindo com a boca cheia de arroz em uma das fotos que eu mandei), o BEBÊ PUMA (um garotinho que anda com uma camiseta falsa da Puma), o NHONHINHO (um gordinho chato pra quem a gente dá aula na escola) e o PICÔU (um menino Down que repete essa palavra a todo instante que, aparentemente, não quer dizer nada na língua local).


Sexta-feira, 20/03

Ainda não entendi direito como eles ganham dinheiro aqui. Durante a semana os homens raramente estão fora de casa e sempre rola uma festividade durante um dia útil.

Ontem a noite mesmo fomos avisadas que no dia seguinte deveríamos estar prontas às 9 da manhã pois iríamos para uma cachoeira na vila vizinha fazer um pic-nic. Isso é muito comum aqui no Laos, você acha que amanhã vai ser um dia como todos os outros e de repente eles inventam de fazer alguma coisa e te avisam no último minuto!

Não bastasse a romaria de casa em casa da última terça, assim, sem mais nem menos, quase 30 pessoas decidem ir, em plena sexta-feira, fazer um pic-nic básico!

Beleza, lá fomos nós! Mesmo com um pezinho atrás depois da última experiência de festa dos laoenses.

A diversão deles consiste em: muita gente, muita comida, muita bebida, muita cantoria e muitas atitudes sem noção!

Fomos todos na caçamba de um mini-caminhão. No início todos iam sentados, depois tivemos que ir de pé mesmo por causa da falta de espaço com tanta gente. É que eles vão parando de 10 em 10 minutos nas casas da galera, e em cada parada é mais 2 ou 3 pessoas que sobem. Essa é um outro costume deles. Qualquer trajeto se torna 3 vezes mais comprido e demorado do que realmente é pelo simples fato de eles pararem toda hora!

A ida foi tranqüila. Uma estradinha de terra que entra floresta adentro e que vai ficando cada vez mais estreita e esburacada. Quem estiver em pé na caçamba deve ficar atento para não levar uma galhada de árvore na testa!

A galera vai praticamente o caminho inteiro cantando e bebendo. Aqui eles têm uma bebida chamada lao-lao, bem parecida com a nossa pinga, mas piorada umas 10 vezes. Praticamente um álcool Zulu! E eles tomam puro na maior tranqüilidade.

O tempo na cachoeira foi bom. Pudemos nadar um pouco, mas por ser a época seca não tinha muita água e a cachoeira em si era apenas uns filetes de água caindo.

Começou a chover e tivemos que comer em baixo das árvores: peixe, noodles, repolho, arroz e melancia. E, claro, lao-lao e cerveja, que já estava quente, mas que eles bebem com gelo, sem cerimônia. Super normal. Cerveja quente? Bota uns gelinhos e manda pra dentro!

A volta foi tensa. Com a chuva caindo e a galera bêbada o fato da estrada ser de terra apresentava um retorno nada promissor. E de fato não foi. O mini-caminhão atolou uma vê e sacudiu forte muitas outras. Eu e a Silvia só pensávamos na morte em pleno rali, mas os laoenses não pareciam se importar, seguiram cantando e bebendo lao-lao enquanto nós morríamos de medo.

Chegamos. Sãs e salvas!

Nessa odisséia outros apelidos surgiram:

- LADY KANA: uma mulher que não negava lao-lao nunca e bem propíciamente tinha uma mulher bordada na calça com o nome de Lady Kana;

- GOLA ROLÊ: no calor do Laos, o único cara que foi ao pic-nic de gola role;

- MR. BURNS: por ser idêntico ao personagem homônimo de “Os Simpson”;

- ABOBÔ: uma mulher tão feia e estranha que parecia o Abobo, e esse só vai entender quem já jogou Doublé Dragon no Mega Drive III ou viu o filme na Sessão da Tarde;

- APURO: um cara que achávamos ser gay e que tivemos certeza quando, no meio do apuro de quase morrer, ele, ao invés de segurar nas barras de ferro da caçamba, ficou segurando a cintura do rapaz à frente e aproveitou pra dar uma encoxadas...em pleno apuro!

- CATARATA: apesar de ter uma visão boa, esse cara tinha aparência do olho de quem tem catarata.


Segunda-feira, 23/03

Este fim-de-semana finalmente fizemos a trilha até o parque nacional Phou Khuao Kuay.
Dormimos na Elephant Tower, construída onde os elefantes costumam aparecer e onde os turistas passam a noite na espera para ver um destes enormes mamíferos. Infelizmente nesta noite eles não apareceram e ficamos a ver navios.

Pelo menos o jantar valeu a pena. Apresentou-se a refeição mais decente e saborosa desde nossa estadia no Laos. O problema da comida aqui nem é tanto a comida em si, mas os hábitos higiênicos de quem a prepara e onde ela é preparada.

Os laoenses têm as unhas compridas e sujas mas comem com as mãos; têm os dentes podres e tomam sopa com uma colher que tornam a colocar no prato, que é comunitário; na hora de beber cerveja o copo também é comunitário, cada um bebe um pouco e vai passando para o do lado, uma boa oportunidade paras os vírus bucais; e outros pormenores como jogar lixo no chão e um pouco de água no corpo e chamar isso de banho.

A cozinha é inexistente. Um fogareiro no meio de um monte de areia é onde a comida é preparada e no chão, num canto da casa, onde é estocada. Legumes, carnes e condimentos jazem no chão sem nenhum tipo de proteção e, para piorar, são freqüentemente “visitados” pelos cachorros, galinhas e patos da casa.

Não é à toa que uma simples salada de repolho cozido, pepino, arroz, tomate e carne em tiras tornou-se a melhor refeição, pois tendo sido preparada em um lugar turístico (a torre dos elefantes) foi feita também para turista ver, ou seja, obedecendo os padrões mínimos de higiene.
Depois da noite na torre passamos boa parte do domingo na mata fechada fazendo trilha. O sol estava escaldante e infelizmente os rios não estavam na sua melhor forma, pois ainda não é a época das chuvas. Assim sendo, nosso banho de rio ficou limitado a um pequeno lago. Enfim, deu pra dar uma refrescada.

Ao fim do passeio estávamos bastante cansadas da caminhada e nem um pouco impressionadas com a natureza que nos foi apresentada. Depois de rios secos e da frustração de não ter visto os famosos elefantes, qualquer trilhazinha em um parque ecológico perto da poluída São Paulo seria capaz de superar um dos maiores parques nacionais do Laos.

À noite, já de volta a Ban Na, um dos guias nos convidou pra ir até a casa dele que duas amigas dele da capital estavam lá.

Bebemos cerveja e comemos tamarindo. Uma das amigas disse que se chamava Toto, que em lao quer dizer uma espécie de cobertor! Disse também que era de uma vila vizinha e que tinha ido morar em Vientiane para estudar inglês.

Quando eu perguntei se ela gostava mais de morar na vila ou na capital eu já sabia a resposta. Ninguém jovem pode gostar de morar num lugar como este, onde nada acontece.

Surpreendentemente ela me respondeu que preferia morar em sua vila e que sentia saudades.
Por alguns instantes eu esqueci que o Ocidente e o Oriente ainda são muito diferentes e que aqui as tradições ainda são importantes.


Quarta-feira, 25/03

Hoje foi nosso último dia em Ban Na. Nem posso acreditar que conseguimos!!!

Três semanas mijando e defecando agachada, tomando banho de caneca, com os pés sujos, comendo uma comida estranha e sentindo o peso da mesmice e das horas que custam a passar.

Na noite anterior a mãe, com lágrimas nos olhos, mas sem deixá-las cair, disse que sentiria nossa falta. A avó, tia, mãe, primos e filhas fizeram um círculo ao nosso redor e amarraram barbantes em nossos pulsos para dar sorte. E ainda descobrimos, só agora, que a mãe está grávida de 4 meses! E que o barulho de água sendo remexida no meio da noite não era a velha, mas sim um bagre que ficava nadando numa panela!

Hoje, ao meio-dia teve a cerimônia de despedida, com todos os guias para quem demos aulas e também outras pessoas da vila.

Numa pequena mesinha de centro estavam um arranjo de flores com os barbantes que seriam atados em nossos pulsos e pratos com doces, melancias, bananas e miúdos de galinha.
Quando vimos este último item a Silvia disse que não comeria aquilo nem a pau e eu respondi que não, que aquilo deveria ser uma espécie de oferenda budista e não era para comer.

Um homem então começou a recitar umas preces e nós devíamos juntas as mãos próximas ao peito...acho que para receber as bênçãos. Depois de uns 10 minutos de rezas que não entendíamos nada eles pegam um bolinho de arroz junto com um pedacinho daquela galinha e colocam nas nossas mãos. Tínhamos que comer...

Eu olhei pra Silvia, ela pra mim e eu disse: “Fecha os olhos e engole.”

Salvador gole d’água que ajudou para que aquela gororoba descesse goela adentro antes que os meus miúdos saíssem goela à fora.

Imediatamente após a forçosa ingestão eles começam a amarrar os barbantes, todos ao mesmo tempo. Era muita, muita gente ao redor! Enquanto seus braços estão rendidos não há como dizer não às coisas e ficamos a mercê deste bando, que ia enchendo as nossas mãos de comida.

Acho que faz parte do ritual receber a sorte do barbante segurando algum alimento. Mas precisava ser todos?

Não bastasse as bananas e doces que já enchiam as nossas mãos um dos guias fez uma bolinha de arroz, grudou em uma coxa seca de galinha e enfiou na mão da Silvia. Eu comecei a rir muito!!! “Segura esta coxa, Silvão.”

Mas, como felicidade de pobre dura pouco, não demorou muito e na minha mão já tinha não uma coxa, mas um nojento pé de galinha....

Na minha ao passou também um copo de cerveja que foi logo levado a minha boca e que fui obrigada a literalmente engolir, caso contrário eu me babaria, pois eles não demonstravam o menor interesse de tirá-lo dali antes de esvaziar.

O fim foi quando, sem eu ao menos me dar conta, enfiaram um pedaço de melancia na minha boca. Pelo desta vez não eram os restos da galinha!

Depois da cerimônia almoçamos e fomos para a nossa nova casa em Ban Hatkai, uma outra vila onde ficaremos por 2 semanas e meia.

Paciência!


Domingo, 29/03

Depois da cerimônia de despedida em Ban Na fomos até Ban Hatkai onde iremos ficar até o final do voluntário.

A casa é melhor que a primeira, o colchão mais confortável e tem até uma geladeira, mas o banho é pior porquê o banheiro é apertado e o teto muito baixo e como eu sou alta tenho que fazer umas manobras pra não encostar a cabeça e me engalfinhar com umas teias de aranhas que ficam ali.

A nova família é grande: o pai, a mãe, cinco filhos e um netinho de 3 meses que mijou na minha camiseta logo que cheguei e o segurei no colo. A família anterior era mais receptiva. Essa nova parece não ligar se a gente está ou não morando com eles...tenho a impressão que alguns deles ainda nem notou a nossa presença.

Uma coisa boa da nova vila é que esta tem um rio bem do ladinho, o que é ótimo para os dias de calor, que são a maioria.

Essa sexta-feira mesmo o pai e um outro guia nos convidou pra pescar. A essa altura do campeonato já deveríamos saber que uma passeio com laoenses começa de manhã e só termina no fim da tarde, mas acho que esquecemos das experiências anteriores e fomos achando que voltaríamos para o almoço. Que nada!

Resultado? Duas brasileiras que não passaram protetor solar e estavam de shorts e camiseta com o mais dolorido e vermelho dos bronzeados. De dar inveja! Esta marquinha de regatas e de bermuda é um must!

Mas fora o bronze o dia foi bem legal! A pescaria foi infinitamente mais bonita e divertida que a trilha no parque nacional da semana passada, e ainda foi de graça!

Passamos o dia no rio e enquanto os dois pescavam com as redes eu e a Silvão nadávamos. Que delícia! Percorremos o rio inteiro numa canoa até a sua nascente, onde almoçamos o peixe frequinho recém-pescado. Bem roots, ali na hora mesmo eles enfiaram uns peixinhos numas varetas, fizeram uma fogueira, assaram e mandamos pra dentro, junto com arroz, é claro!

Depois do almoço fomos andar pelas rochas da nascente, e aí eu não tive muita sorte...raspei o peito do pé em uma delas e ao tentar passar de uma rocha pra outra minha perna escapuliu e foi direto pro buraco entre elas! Não sei como não quebrei a perna, mas ficou uma belo dolorido na canela direita.

Mas valeu a pena. Depois de passar pelas rochas vimos as piscinas naturais formadas na nascente do rio (infelizmente estava sem a minha câmera), com suas águas convidativas para uma boa nadada!

Nadamos e mergulhamos nas piscinas e depois, na volta, quem disse que eu já tinha me machucado o bastante? Tentando passar por uma pequena correnteza, me desequilibrei e fui literalmente arrastada por ela. Bati a perna (desta vez a esquerda) e fiquei com um machucado no joelho.

Na volta eles pararam mais algumas vezes para pescar e desta vez nos pediram nossa ajuda. Nós do lado da canoa ficávamos pegando os peixes que eles pescavam e arremessavam para nós colocarmos na canoa. "Segura ai este peixe! Voaaando!" e pronto, lá íamos nós atrás dos peixes mortos que caiam na água.

Pra tirar um pouco o peso da consciência, quando os guias não estavam olhando, eu soltei dois peixes que ainda estavam vivos de volta no rio. Não me confortou muito.

Sábado viemos para Vientiane e amanhã (segunda) voltaremos para Ban Hatkai.

Hoje fomos resolver a questão da nossa extensão do visto do Laos. Fomos até a fronteira e depois de 4 horas e meia e de ter ido até a Tailândia duas vezes por causa de questões burocráticas e falta de formulários, conseguimos finalizar a tarefa.

2 comentários:

Iaiá Tana disse...

Gostei da sua atitude com os 2 peixinhos.
Estou contando os dias pra vc voltar! Como suas viagens pelo Mundo são demoradas!
Saudosíssima
Iaiá

Mauricio Tonidandel disse...

Querida Juliana....

Se eu tivesse que te descrever em uma só palavra, esta palavra seria LOUCA!!!! 'Tá bem... acho que voce merece um outro qualificativo... LOUCA VARRIDA... Acho que fica melhor....

Brincadeiras a parte, fico feliz em receber noticias suas e me certificar que, apesar dos acidentes, voce está bem de saúde. Você sabe que ésta é minha maior preocupaçao... O resto você tira de letra.

Aliás, não sei onde voce foi foi arrumar tanta coragem... De mim, estou certo que nao foi... Acho que foi da sua mãe... rssss.

A verdade é que te admiro muito. Sou seu fã! Tenho muito orgulho de voce e de certa foram, sinto inveja do seu espirito aventureiro. Gostaria de ser como você!

Te amo muito. Continue enviando notícias sempre que possível.

Até breve.