domingo, 8 de março de 2009

Detalhes rurais!

Nossa, fiz tão rápido o último post que teve várias coisas que eu nem mencionei. Vou tentar completar então e depois os pareceres de Vientiane, capital do Laos.

A família lá da vila: Tem o pai, a mãe, a avó e as duas filhas. O pai e a filha mais velha são os únicos que falam um pouquinho de inglês, mas bem pouquinho mesmo. As filhas têm 13 e 6 anos e têm os dentes meio manchados, característica presente na maioria das crianças da vila. O pai faz bico de guia turístico do parque nacional, mas o trabalho de verdade mesmo eu ainda não consegui decifrar, mas acho que ele vai pra roça cortar bambu. A mãe passa o dia inteiro fazendo cestinhas artesanais feitas do mesmo bambu, atividade mor de todas as mulheres daqui. A avó fica o dia inteiro sentada desfiando bambu e catarrando. Catarrando mesmo! Não sei o porquê, mas todas as pessoas idosas da vila parecem ter problemas com isso, pois todos fazem barulhos nojentos com a boca muitas vezes seguidos de uma bela cuspida! No caso da avó da nossa casa, ela cospe num copinho que ela guarda numa cesta (de bambu) que anda com ela pra cima e pra baixo! Não quero nem imaginar o que ela faz com aquele cuspe! Teve uma noite que a Silvia nem conseguiu dormir direito...a velha ficou a noite inteira catarrando!

As aulas de inglês: A gente dá aulas pras crianças da escola à tarde e pros guias turístico a noite. As crianças têm alguma noção dos números, letras e de como perguntarem e responderem qual o seu nome, e obviamente é mais difícil dar aula pra elas, pois são bem mais exigentes e mais difíceis de obter atenção. Já os guias prestam mais atenção e se mostram mais interessados (mas nem sempre), mas não falam quase nada de inglês e já que não falamos quase nada de Lao a comunicação se torna bem mais complicada, mas aos poucos vamos chegando lá!

A higiene: Mantê-la é bem difícil. O clima é seco e as ruas são todas de terra e ficamos sujas imediatamente depois de termos tomado banho. O melhor é desencanar e entrar no clima. Entender que as roupas vão sim ficar marrons, as costas não vão parar de suar e a sede nunca vai acabar! E que os nossos pés estão e vão ficar encardidos pelo próximo mês não importa o quanto a gente os lave (É que aqui temos que tirar os chinelos antes de entrar dentro da casa e é inevitável que a terra venha junto)!

A comida: Os hábitos alimentares deles são bem diferentes dos nossos. Pra começar logo no café da manhã eles fazem uma refeição tão completa quanto um almoço ou uma janta. Não tem essa de beber leite e comer torradas. Aqui a gente come é arroz mesmo, omelete, noodles e até carne ou peixe às vezes! Uma das coisas que nos deixam com o pé atrás é que a família não tem geladeira e a comida é estocada muito precariamente. O ditado deveria ser: “O que os olhos não vêem o estômago não sente.” E é esse pensamento que estamos tentando adotar ou acabaremos morrendo de fome!

A casa: É bem simples. Os cômodos não existem, o que de fato existe são alguns lençóis pendurados que fazem as vezes das paredes. Camas também não existem, mas sim um fino colchão durinho no chão e um mosqueteiro que pelo menos não tem furos e deixa a gente a salvo dos insetos durante a noite! Apesar de parecer ruim, é uma das melhores casas da redondeza...pelo menos é feita de cimento, enquanto as outras são feitas de bambu mesmo. Mas, como nem tudo é perfeito, ela ainda não tem janelas e nem porta, então é bem comum o cachorro entrar a qualquer momento, assim como as galinhas. Sim, as galinhas!

Bom, acho que é bem isso mesmo. É uma vida bem rural, completamente diferente da que estamos acostumadas, mas a qual estamos tentando nos adaptar, e nem é tão ruim assim. É simples. E é bom saber que até na mais pura simplicidade as pessoas são igualmente felizes.

Agora sobre Vietiane não há muitas coisas pra se ver na cidade. E a cidade é bem feinha e com cheiro de esgoto em alguns lugares. Os pontos turísticos se resumem ao centro da cidade. Ontem, quando chegamos, queríamos apenas relaxar, então tomamos um bom banho, comemos um bom sanduíche bem ocidental e, claro, uma boa massagem! Ah, não é em qualquer lugar do mundo que uma ótima massagem de 1h custa apenas R$ 14!!! Depois da massagem fomos num barzinho tomar uma cerveja e acabamos numa balada com dois laoenses (?) e um dinamarquês que conhecemos.

Hoje acordamos tarde, mudamos prum hotel mais barato e fomos até o museu nacional e no Wat Si Saket, um dos principais templos budistas daqui, bem legal! Comemos na beira do Mekong olhando o pôr-do-sol e agora estamos indo fazer outra massagenzinha antes de voltarmos pra vila amanhã de manhã!

3 comentários:

Anônimo disse...

Jú!

Que delicia meu...
Muito roots essa viagem..

Aproveitem muito por ai,
Beijão,
Cat.

Anônimo disse...

Juliana, Fico feliz em saber que voce está bem. Você sabe... minha maior preocupaçao é com sua saúde. Que bom que você está gostando de experenciar a realidade rural de Laos...Acho que ela nao difere muito da realidade que encontramos em mutios lugares do nosso pais... Quanto aos R$14 do custo da massagem, fique sabendo que eu NAO te cobraria nada... o único inconveniente é que voce talvez nao apreciasse os meus dotes de massagista... rsss. Beijos, minha querida. Abracos para a Silvia.... Ah, já ia me esquecendo... hoje parei na esquina da rua dos Trilhos com a J.A. de Oliveria (na Mooca) e nosso "amigo pedinte" estava cantando "ERA UM GAROTO QUE COMO EÜ AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES"..... nao sei o porque, mas me lembrei imediatamente de voces duas! Na proxima vez, vou usar o celula re grava-lo. Assim poderei enviar o arquivo para voces atraves de email...Nada como começar o dia com boa musica... Hahaha...
Tentei te ligar, mas o seu celular dai parecia que estsva mudo...
Te amo muito, fique em paz!
Pai.

Iaiá Tana disse...

NOssa! Como é ruim saber que tem um e-mail da sua grande amiga em sua caixa postal, e ter que esperar mais 2 dias para lê-lo! rs

Se cuida aí, minha linda.
Não esqueça que te amo!
bjs